O “Get Tohether U-14” é uma reunião, promovida pela FIBA-Europa, de treinadores e técnicos que dentro nas diversas Federações europeias são responsáveis pelos primeiros escalões da formação ou seja Sub-14 e Minibásquete.
2. Qual é o objectivo do “Get Toghether U-14” e de quanto em quanto tempo se reúne?
O objectivo desta reunião é promover uma troca de informação e experiência sobre o que nos diversos países europeus é feito nestes escalões, que são considerados pelo secretário-geral da FIBA Europa Nar Zanolin as fundações de todo o edifício do basquetebol. A necessidade desta reunião resulta do facto, de ao contrário dos escalões a partir dos Sub-16, nestes escalões não existirem eventos entre os países europeus promovidos pela FIBA-Europa. Esta é uma reunião que vai na sua 4ª edição e que se realiza uma vez por ano.
3. Que recomendações saíram deste encontro relativamente ao minibásquete e a formação?
O minibásquete é na Europa uma realidade muito heterogénea com profundas diferenças na organização de país para país. Desta reunião não saíram propriamente de recomendações. Contudo há ideias que neste momento são orientações da FIBA-Europa, aceites pela generalidade dos países, como nomeadamente não está nos horizontes deste organismo, organizar competições europeias de Sub-14 ou minibásquete. A FIBA-Europa apoia e reconhece após candidatura eventos organizados pelas federações nacionais, regionais ou clubes. Começa a ser consensual que deve haver uma formação diferente para treinadores dos escalões mais velhos a partir dos Sub-16 e uma formação para treinadores dos escalões da iniciação Sub-14 e minibásquete. Já existem países em que os cursos são diferenciados. Os treinadores dos escalões de iniciação não podem treinar os outros escalões e o inverso também é verdade. Os treinadores dos escalões mais velhos não podem treinar os escalões de iniciação. São dois cursos distintos.
4. Acha que o minibásquete está no bom caminho em Portugal?
Esta é uma resposta difícil, porque a avaliação de resultados do que está a acontecer agora, só poderá ser verdadeiramente observada daqui a uns anos. Contudo estando o minibásquete, muito dependente das famílias e numa época de crise económica, diminuição da população mais jovem, maior oferta de actividades que não implicam para os pais e crianças compromissos, o minibásquete revela, sem dúvida, uma vitalidade digna de realce. Por todo o lado no país têm surgido novos núcleos. Os clubes, com mais tradições na modalidade, tem aderido ao projecto das Escolas de Minibásquete Portuguesas. O número de praticantes real, e não números fictícios, revela um crescimento ao qual temos que estar atentos. As actividades desportivas cresceram na maioria das Associaões, muito também por acção dos clubes, exponencialmente. O minibásquete tem neste momento, fruto do envolvimento de muitas pessoas, pais treinadores e dirigentes o seu espaço próprio no universo do desporto da formação.
Apesar das dificuldades, o movimento do minibásquete tem sabido encontrar caminhos que conduzem à captação do interesse dos mais jovens. No entanto a esta satisfação, junta-se um forte preocupação que resulta do facto de o basquetebol ter de procurar soluções que não levem ao abandono precoce da prática, como sabemos que acontece.
5. O que pensa do desporto escolar e de uma forma geral, como deveria estar organizado?
Como não venho do universo escolar este é um assunto que não domino e sobre o qual não me sinto muito à vontade para me pronunciar, pois só gosto de emitir opiniões sobre aquilo que conheço bem. No entanto vamos a factos. A formação desportiva está, bem ou mal, nas mãos dos clubes. Se não existirem clubes dificilmente teremos formação desportiva neste país. Mudar esta realidade, este modelo, implica profundas transformações. Por exemplo, no país vizinho o minibásquete está fundamentalmente nas mãos das escolas, principalmente do ensino particular. Este facto facilita e racionaliza toda a organização, havendo muito menos desperdício e desgaste das famílias.
Um dos grandes obstáculos, entre outros da formação nomeadamente dos desportos colectivos neste país chama-se: horário escolar. Ou seja a maioria dos clubes só consegue começar a treinar a formação, fruto dos horários escolares a partir das 18.00. Este facto implica uma enorme sobrecarga dos espaços de treino a partir desse horário. Além disso, este facto, implica no caso do minibásquete, que os pais vão buscar as crianças às escolas as levem aos clubes, com os custos de transportes, desgaste de tempo que isso envolve. Em Espanha, o facto de o minibásquete estar nas mãos dos colégios que tem depois ligações com os clubes locais rendibiliza e de que maneira, organização administrativa, espaços, tempo, transportes etc…
Penso que seria bom olhar para soluções de cooperação sem as habituais desconfianças, que existem sempre de cada lado. Neste país temos sempre a tendência para cada um defender a sua “quinta”, perdendo a perspectiva global. Este é apenas um pequeno apontamento, pois este assunto merece uma reflexão bem mais profunda de toda a organização desportiva nacional.
6. Que papel os clubes têm ou deveriam ter nesta fase tão sensível da modalidade.
Embora haja muitas e honrosas excepções, existe por parte de muitos clubes um discurso e uma prática completamente opostas. Todos somos unânimes em dizer, que sem formação não se vai a lado nenhum. Que a formação tem de ser uma prioridade. No entanto conheço muitos casos em que, e estamos a falar de um simples acto de gestão, se for preciso a equipa sénior de uma CNB1 ou CNMB2, treinam às 19.00 horas e os escalões de formação treinam a horas perfeitamente impróprias. Mas afinal qual é a prioridade?
Este é um pequeno exemplo de como muitas vezes o discurso não corresponde à prática. Na minha opinião o papel dos clubes nesta fase tão sensível é cativar as crianças, para a prática desportiva. E isto só se consegue se houver qualidade na intervenção e respeito pelas crianças. Como costumo dizer no minibásquete o mais importante é a criança.
7. A nível europeu como é organizado o minibásquete?
O organismo responsável pelo minibásquete na FIBA Europa, é a Comissão de Juventude. Como já referimos, não existe uma organização europeia do minibásquete. Cada país é uma realidade e tem a sua organização autónoma.
8. Que conselhos se deve dar ao pai de um jovem atleta que inicia o seu primeiro contacto com a modalidade?
O principal conselho que dou aos pais é que os filhos pratiquem uma actividade desportiva que gostem. Os pais devem estar fundamentalmente atentos ao facto, de os filhos gostarem ou não das actividades que praticam. Se as crianças gostarem da modalidade que fazem não vão abandonar a actividade desportiva. De outro modo mais cedo ou mais tarde o abandono precoce surgirá.
9. Que importância tem o minibásquete na vida de uma criança e no futuro da modalidade?
O maior elogio que me dão, e estou a falar de minibásquete, é quando uma criança pratica esta modalidade e os pais dizem: O meu filho cresceu. Ninguém que ensina, passa pela vida das crianças sem deixar marcas; a nossa maior responsabilidade é proporcionar-lhes experiências enriquecedoras e positivas. Nesta perspectiva o minibásquete tem de ser uma actividade de prazer e satisfação às crianças e um espaço permanente de aprendizagem para todos: crianças e adultos.
Se adultos e crianças saírem satisfeitos de todo este processo a modalidade fica mais forte ganha sem dúvida adeptos.
10. Neste último ponto deixamos ao seu critério, falar-nos do minibásquete dos projectos etc.
Os projectos são sempre sonhos. Uns realizam-se, outros não. Dada a extensão da entrevista vou falar apenas de um. Por também considerar, como Nar Zanolin, que as fundações duma actividade desportiva começam nas suas etapas de iniciação, no intuito de reconhecer o trabalho de muitos professores, treinadores, monitores e animadores de minibásquete, gostaria que a sua formação fosse vista com outros olhos e muita atenção. Tenho ideias sobre este assunto mas as sugestões são sempre bem-vindas.